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PERDÃO e FELICIDADE

          

  ... Frei Felipe, no seu ambiente de serenidade, despertou da madorna por que passara e deu sinal de interesse, falando com bondade:

            ― Irmão Francisco, seria bom para todos nós, se soubéssemos algo mais sobre o perdão:

            Francisco, diligente e amigo, asseverou com riqueza de detalhes sobre assunto que ele tanto amava, estruturando todos os seus pensamentos na força da palavra, fazendo-se ouvir com respeito:

            ― Frei Felipe, que Deus, na Sua Divina Sabedoria, possa nos inspirar a todos neste momento de meditação e nesta escola do Evangelho!

            Falar sobre o perdão muito nos agrada. Ele abre as portas da verdadeira felicidade, e faz com que o nosso coração se sinta livre da opressão da consciência. É tão divino, que nos dá condições de esquecer as ofensas, favorecendo-nos no ambiente para refazer amizades.

            Quem já entende que deve perdoar, está compreendendo que existe o bem-estar espiritual; quem já gosta de perdoar, é aluno na escola da caridade consigo mesmo; e quem perdoa por amor às criaturas que ofendem, já se libertou das contingências do mundo e alcançou o Bem universal, alimentando-se no grande suprimento de Deus.

            O perdão retira todo o mal dos canais, onde ele poderia proliferar. Ele é a própria paz! É socorro para os desesperados, pois transmuta o ambiente pernicioso do ódio em atmosfera onde pode gerar o Amor.

            Somos humanos e desejosos da perfeição espiritual, e em muitas circunstâncias, nos ofendemos com ataques inesperados de irmãos que ignoram os nossos trabalhos. O Evangelho, porém, nos apropria com o recurso do perdão e logo limpamos a mente e o coração das mazelas, que o ódio e a vingança começam a estabelecer. Devemos nos dar as mãos e cantar dia e noite o cântico do perdão, que ele nos fará passar de homens cativos a seres livres.

            Perdoa, e serás compensado; perdoa, e será atendido nos desejos sublimados; perdoa, e será forte na batalha contra o mal; perdoa e será iluminado pela graça e misericórdia do Senhor!

            ...Frei Cândava, dotado de alta inspiração, dignou-se a perguntar, assim falando:

            ― Pai Francisco!... Desejaria ouvir alguma coisa no que tange à felicidade.

            Francisco de Assis, meditativo, respondeu com emoção:

           ― Felicidade, meu caro companheiro, por enquanto, na Terra, somente temos notícia da sua beleza e do seu estado permanente de bem-estar. Depende do esforço de cada um, no pleno exercício do aprimoramento. Ela não é e nunca foi doada, é conquistada pela alma que sobe o calvário da vida. A felicidade não é comprada nem vendida, é acumulada de passo a passo, pelas linhas de oportunidade que a vida nos oferece em todos os momentos. A felicidade é, pois, o conjunto de virtudes acumuladas no coração.

            Todos somos candidatos à tranquilidade imperturbável, mas, para tanto, temos de lutar e vencer a mais dura das batalhas, na guerra com nós mesmos, que carece de vigilância permanente para eliminar os inimigos que muito conhecemos: o ódio, a inveja e o ciúme, a discórdia, a maledicência, a vingança, o orgulho, o egoísmo etc. São frentes de lutas que devemos travar para vencer a nós mesmos e conhecer o terreno sagrado do nosso coração.

            Muitas criaturas há que desanimam na busca da felicidade, por desejarem desfrutá-la de imediato, fato impraticável. Ela começa com a simples mudança de pensamento, descendo para as ideias, dominando as ações, buscando a vivência, demorando, às vezes, tempo prolongado. A verdadeira felicidade exige, na vida de cada um, a pureza de pensamentos, de ideias e de sentimentos, a pureza de coração, da palavra e da vida. Entretanto, depois de tudo isso conquistado, o clima de felicidade perfumará o nosso ser, e nunca mais a perderemos e ela nos acompanhará no tempo que se chama eternidade.

Texto extraído do livro: “Francisco de Assis”, pelo espírito Miramez, psicografado por João Nunes Maia (grifos nossos)