SUBLIME CONQUISTA

“A caridade e a fraternidade não se decretam em leis.

Se uma e outra não estiverem no coração,

o egoísmo aí sempre imperará. Cabe ao Espiritismo

 fazê-las penetrar nele.”

O Evangelho Segundo o Espiritismo

Cap. XXV – item 8

            O afeto, assim como as demais potencialidades da alma, necessitam do exercício para se plenificar.

 

            Hábitos afetivos serão adquiridos no esforço diuturno de estabelecer convivências agradáveis e saudáveis.

            O cultivo da alegria, da cortesia, do respeito às diferenças, da maleabilidade, da ternura e da prestabilidade são alguns dos exercícios diários que levam à fraternidade.

            Fraternidade, esse sublime tesouro do Espírito, não pode ser confundida com sentimento fugas, que acomete a criatura ora aqui, ora acolá. Ela é um “estado de espírito” nobre e elevado, decorrente da uniformidade de ações no bem, gerando o clima da plenitude íntima. A sucessão de atitudes no bem traz a harmonia e a coerência entre o pensar, o sentir e o agir, que, por fim, consolidam o patamar espiritual da fraternidade.

            Fraternos são os que, identificados com a serenidade interior, dilatam a compreensão da vida e das criaturas, tornando-se sensíveis e afáveis, sem pieguismo e sentimentalismo.

Fraternos são os que porfiam pela indulgência, sempre alcançando o próximo com ações altruístas e solidárias.

Fraternos são os quantos aplicam-se à disciplina da alteridade, respeitando e amando indistintamente.

Portanto, sensibilidade, indulgência e alteridade são a identidade dos atos fraternais.

Sensibilidade que se aprimora no dinamismo da caridade promocional. Indulgência que não ombreia com a conivência. Alteridade que estabelece a aceitação, porque compreende o papel do outro nos mecanismos do Universo.

Esse espírito de fraternidade, perseguido pelas comunidades políticas e religiosas da história humana, tem agora, no seio das células do Espiritismo, o ensejo de deitar seus frutos sazonados entre os que partilham o idealismo superior do Evangelho dos tempos modernos.

Conviver fraternalmente deve ser a essência de nossa causa. O Centro Espírita, Escola das Virtudes Superiores, é o ambiente de disciplina e treinamento dos novos modelos de relações, com elevado grau de valores intelecto-afetivos que nortearão elos profundos e ricos de lealdade, nobreza moral, motivação e consciência espiritual.

Matriculemo-nos com denodo nessas vivências de lídimas emoções dignificantes.

Conflitos e decepções, mágoas e desagrado, enfim, variadas reações inesperadas e desagradáveis surgirão, inevitavelmente, convidando-nos ao testemunho pelo perdão nas fontes da resistência e do amor.

A fraternidade, enquanto estado espiritual, haurida como conquista sublime no transcurso dos evos, é o esteio de nosso ideal, ao qual devemos nos empenhar sempre para que se torno o “clima moral” das sociedades espíritas, na revivescência espiritual da “Casa do Caminho” dos tempos de Jesus.

Destaca com muita felicidade o codificador: “Essa a estrada pela qual temos procurado com esforço fazer que o Espiritismo enverede. A bandeira que desfraldamos bem alto é a do Espiritismo cristão e humanitário, em torno da qual já temos a ventura de ver, em todas as partes do globo, congregados tantos homens, por compreenderem que aí é que está a âncora de salvação, a salvaguarda da ordem pública, o sinal de uma era nova para a Humanidade.”

“Convidamos, pois, todas as Sociedades Espíritas a colaborar nessa grande obra. Que de um extremo ao outro do mundo elas se estendam fraternalmente as mãos e eis que terão colhido o mal em inextricáveis malhas.”[1]

O alerta de Allan Kardec concita-nos a dignificar a causa priorizando o homem, suas necessidades e seus valores, evitando cometer, novamente, o despautério de uma “nova cruzada” pela supremacia da mensagem em detrimento do amor que merecemos uns dos outros.

Antes dos projetos de amor “além-paredes”, estimulemos a fraternidade, prioritariamente, ao próximo mais próximo, aquele que divide conosco as responsabilidades doutrinárias rotineiras em nossa casa espírita, encetando esforços pela convivência jubilosa e libertadora.

Não descuidemos, porém, da recomendação inspirada do apóstolo de Lyon na referência supra, e estendamos também as mãos fraternais nas relações interinstitucionais, tomando os grupamentos alheios como extensão de nossa família espiritual, nas doações de amor a que formos convocados, sem regime de apego e insegurança.

Simplicidade, despretensão e abnegação da personalidade são veredas promissoras a tal mister.

Assumamos a batalha, perseveremos por entre o trabalho, a oração e o tempo.

Ave fraternidade!

Livro: Unidos pelo Amor – Ermance Dufaux e Cícero Pereira


[1] O Livro dos Médiuns – capítulo XXIX – item 350.