Gostaria de tecer alguns comentários sobre algo que é ponto de discussão para muitos de nós, o Bem e o Mal. Muito se tem debatido sobre o mal e suas origens, se seria de origem humana ou se teríamos este “gérmen” já desde nossa criação...

 

 Não quero aqui abrir discussão sobre este ponto específico, mas sim falar de algo sobre a nossa realidade atual, que o mal ainda está presente na humanidade de um planeta como o nosso, de provas e expiações. Se alguém duvida, basta ler um jornal ou assistir a um noticiário que vai se deparar com nossa realidade... E isso é “natural” para um planeta da categoria do nosso (vide “Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. III “Há Muitas Moradas na Casa de Meu Pai”, itens 3 a 5).

Claro que já há seres de maior elevação moral que nem “pensam” mais no mal, a não ser para verificar a melhor forma de auxiliar; como há aqueles que ainda “pensam” no mal, mas não agem no mal, e há aqueles que ainda “pensam” e praticam coisas não tão boas. Para nossas reflexões, lembremos que na questão 657 do “Livro dos Espíritos” encontramos a afirmativa de que “não fazer o bem já é um mal”. 

Deus, nosso Pai, nos ama tanto que nos dotou do livre arbítrio, nos permitindo que conheçamos as opções e façamos nossas escolhas. Porém, como sabe que ainda somos “crianças espirituais” e que precisamos das orientações de um Pai Zeloso, estabeleceu as leis divinas para nossa proteção e para a harmonia universal. Para termos idéia do significado disto, saiamos do macro e vamos para o micro: imaginem uma casa “administrada” só por crianças e sem disciplina, como seria?!

No “Evangelho Segundo o Espiritismo” e no “Livro dos Espíritos”, encontramos diversas passagens que citam que Deus nos possibilita conhecer e experienciar a diferença entre o bem e o mal, nos dando a liberdade de escolher entre as duas opções para que tenhamos o mérito e a responsabilidade de nossas ações.[1]

Acho que uma antiga história zen-budista pode nos ajudar a refletir sobre o tema (extraída do livro “Como se Tornar um Líder Servidor” de James C. Hunter):

“Um samurai turbulento e arrogante desafiou um mestre zen a explicar a diferença entre o bem e o mal. O mestre respondeu com evidente repulsa:

-       Não perderei meu tempo com uma escória como você.

O samurai teve um acesso de raiva, desembainhou sua enorme espada e gritou:

-       Cortarei sua cabeça pelo insulto!

Calmamente o mestre zen declarou:

-       Isso é o mal.

O samurai acalmou-se, compreendendo a sabedoria do que dissera o mestre.

-       Obrigado por sua percepção, meu bom mestre – murmurou o samurai, humilde.

Ao que o mestre zen arrematou:

-       E isso é o bem.”

Busquemos também a antiga sabedoria indígena para nos auxiliar em nossas reflexões, com uma velha história:

“Um velho índio descreveu certa vez sobre seus conflitos internos:

-       "Dentro de mim existem dois cachorros, um deles é cruel e mau, o outro é muito bom e dócil. Os dois estão sempre brigando...

Quando então lhe perguntaram qual dos cachorros ganharia a briga, o sábio índio parou, refletiu e respondeu:

-       Aquele que eu alimentar.”

Vindo para nosso mundo contemporâneo, James Hunter cita que “o tipo de pessoa que nos tornamos depende de nossas decisões, não de nossas condições (livro “Como se Tornar um Líder Servidor”). Um dos líderes espirituais atuais da humanidade, o Dalai Lama, define a essência da natureza humana como sendo a bondade.

Este é um assunto extenso e complexo, que nem escrevendo um livro conseguiríamos abordar por inteiro, mas não é esta a nossa intenção, e sim a de que reflitamos sobre o assunto e façamos uma análise sobre nós mesmos, para que assim consigamos saber “onde” estamos, para podermos definir o “como” iremos chegar “aonde” queremos ir.

Para finalizar, gostaria de lembrar algo fundamental, de que não fomos criados perfeitos pelo Pai, mas sim perfectíveis, e Ele, o Pai, se faz presente em nós.

Odilon Fernandes mencionou que “a água da fonte que corre na direção do oceano, embora se macule no percurso, não deixa de ser a mesma que jorra da nascente...” Somos filhos de Deus Pai e irmãos de Jesus Cristo, nosso exemplo maior, que nos ensinou que “o reino de Deus está dentro de nós”.

Muita paz, amor e luz em suas vidas.

 

Paulo S. Catanoze

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[1]ESE cap. V, item 5 “Causas Atuais das Aflições”; ESE cap. XXVII item 12 “Pedi e Obtereis”; ESE cap. XXVIII, “Preces Gerais”, “Oração Dominical” item 3; ESE cap. XXVIII, “Prece Pelos Espíritos Endurecidos” item 76; Livro dos Espíritos questões 629 a 646, 756, 780, 816, 871, 977 e 990