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Poder do AmorGostaria que você me acompanhasse na leitura do relato feito pelo Dr. Deepak Chopra a respeito de uma pesquisa científica, que me ajudou a compreender a coisa mais importante da vida:

Numa pesquisa sobre doenças cardíacas realizada na Universidade de Ohio (EUA), na década de 70, coelhos foram alimentados com uma dieta muito tóxica e com alto índice de colesterol, para o bloqueio das artérias, procurando duplicar-se o efeito que esses alimentos exercem sobre as artérias humanas. Em todos os grupos de coelhos, começaram a surgir os resultados esperados, menos em um, que, estranhamente, apresentava 60 por cento a menos de sintomas. Nada na psicologia dos coelhos podia explicar sua alta tolerância à dieta, até se descobrir, por acaso, que o estudante encarregado de alimentar aquele grupo gostava de coelhos e os agradava. Ele carregava cada animalzinho durante alguns minutos, antes de lhe dar a comida; por incrível que seja, isso bastou para que os bichos tolerassem a dieta tóxica. Experiências repetidas, em que um grupo recebia tratamento neutro e outro recebia amor, demonstraram os mesmos resultados (A Cura Quântica, Deepak Chopra, Editora Best Seller).

 

Embora eu sempre tenha acreditado no poder do amor, não posso negar que fiquei agradavelmente surpreso com a comprovação, em laboratório, de como o afeto e o carinho humano desencadearam uma reação altamente positiva na saúde dos coelhos. E, se isso acontece com animais, idênticas e até maiores razões também acontece conosco. Vou mais além: o impacto do amor em nossa vida não se restringe ao âmbito da saúde. A par de nossa mente lógica e racional, somos seres essencialmente emocionais, que são felizes quando amam e são amados, mas que são infelizes, sofrem e podem até morrer quando isso não acontece.

Estou convencido de que a pesquisa referida mostra que, na essência de cada ser vivo, está o amor com que Deus nos criou. Aliás, Deus é o amor dentro de nós! Quando amamos e somos amados, nossa essência divina brilha e nos tornamos pessoas muito melhores. Somos felizes! A vida fica leve, sorrimos mais, desculpamos mais facilmente, somos mais generosos, prestativos, compreensivos e demonstramos boa vontade para com as pessoas. Temos mais vigor físico, entusiasmo, paixão pelas nossas atividades e até ficamos mais bonitos e saudáveis. Quando o amor está presente, parece que alguém pintou o mundo com cores tão belas e agradáveis, que a vida fica muito gostosa de ser vivida!

Mas, quando o amor se ausenta de nossa vida, tudo fica cinza, vazio, a vida vira um tédio, uma angustiante noite de domingo, que não termina. Quando as pessoas me procuram contando suas dificuldades, logo é possível perceber que, na maioria das vezes, o problema é apenas um sintoma da falta de amor, a verdadeira causa das nossas aflições. Quando um enfermo me procura pedindo ajuda espiritual, procuro averiguar com ele a ocorrência de algum fato significativo em sua vida, surgido antes da eclosão da doença. Na grande maioria dos casos, os doentes me falam de episódios envoltos em mágoas, ressentimentos, decepções, frustrações, ódios e culpas.

 Esses sentimentos se tornaram tão fortes, que a pessoa deixou de se sentir amada, e a doença foi a maneira inconsciente que ela acabou encontrando para expressar isso. Hoje, quando vejo uma pessoa adoentada, enxergo alguém gritando por amor. E logo me lembro daquela música do Gonzaguinha, já mencionada neste livro (Canção “Grito de Alerta):

Veja bem, nosso caso é uma porta entreaberta

Eu busquei a palavra mais certa

Vê se entende o meu grito de alerta

Veja bem, é o amor agitando meu coração

Há um lado carente dizendo que sim

E essa vida da gente dizendo que não.

A doença é um grito de alerta que a pessoa dá para expressar que não está se sentindo amada. Ela está num conflito: tem um lado carente dizendo que sim (preciso de amor), e a vida que tem dizendo que não (não receberá amor). É claro que esse conflito pode e deve ser resolvido de outras maneiras: o diálogo, o entendimento, o amor por si, para não ficar dependente do amor alheio. Mas, quando esses caminhos não são percorridos, a doença, muitas vezes, pode acabar sendo a mensageira das nossas carências.

Essa situação se aplica inteiramente a outros casos em que as pessoas, embora não estejam fisicamente doentes, vivem emocionalmente irritadas, mal-humoradas, agressivas. Elas também não estão amando. E isso vira um círculo vicioso sem fim: não se sentem amadas e não amam, e, porque não amam, não serão amadas.

A experiência com os coelhos pode nos ajudar a sair desse círculo do desamor, antes que nossa vida se acabe antecipadamente, num leito de hospital, na solidão existencial, ou que os familiares, fartos de nós, nos abandonem e nunca mais se lembrem de que existimos. Viemos ao mundo com uma missão: amarmos e sermos amados. Nossa felicidade depende disso! Eu diria que, par muitos de nós, a melhor parte dessa lição é sermos amados. Concordo plenamente que se sentir amado é muito bom e importante. A base emocional de qualquer pessoa se alicerça no amor que ela recebeu dos pais na infância.

Mas, na vida adulta, sentir-se amado depende, na imensa maioria das vezes, do quanto sou capaz de me amar e do quanto sou capaz de expressar meu amor pelo outro. Depende do quanto eu abdico da posição de criança que apensa deseja ser amada. Para o amor e, portanto, para a felicidade (porque um não vivem sem o outro), é preciso que a gente cresça, amadureça, para também se importar com a felicidade do outro. Para mim, o amor é isso: importar-se com a felicidade do próximo, e não apenas com a minha. É querer bem o outro, tanto quanto em me quero bem.

Quando saímos de nós mesmos (isto é, quando deixamos de ser crianças mimadas e egocêntricas) e passamos a nos importar também com a felicidade do outro, surge a maior experiência da nossa vida, que é o amor, que toca profundamente a quem se tornou importante para nós, e que torna sublime aquele que trouxe para dentro de sim um coração querido.

O professor Mário Sérgio Cortella, com muita sensibilidade, fala que a vida de uma pessoa se torna grande quando ela se importa com as pessoas. Ele explica que a palavra “importar” significa “portar para dentro”, e que uma pessoa se torna importante quando ela é capaz de trazer as pessoas para dentro de si. É preciso transbordar, vale dizer, ir além da nossa borda, e, para isso, é preciso se comunicar, se juntar e se repartir” (vídeo “Eu Maior”, Youtube).

Amar é isso, trazer as pessoas para dentro de nós, albergá-las em nosso coração. É fazer a nossa vida importante, grandiosa, com imensa felicidade, que transborda quanto mais pessoas a gente trouxer para o nosso coração. Mas quem vive egoisticamente não abre espaço para o outro, não cabe ninguém dentro de si. E sua vida se torna pequena demais, mesquinha, banal, fútil: o retrato da própria infelicidade.

Nossa passagem pela Terra é demasiadamente curta. Talvez, você que me lê agora já tenha vivido mais da metade da sua existência. Não nos resta muito tempo pela frente! Nossa vida pode ser curta, mas não pode ser pequena! Que falta faremos às pessoas quando as cortinas do palco de nossa vida se fecharem? Como seremos lembrados? Diz o poeta que a saudade é o amor que fica. A felicidade também, é o que fica na memória das pessoas. Quem se lembrará de nós com alegria? Talvez essa seja a pergunta mais importante para quem deseja ser feliz. E uma pergunta cuja resposta pode ser mudada, a partir de agora mesmo!

 

Extraído do livro “Feliz – A felicidade pronta para entrar em nossa vida”, cap. 16 “O que os coelhos podem nos ensinar” (título original), autor José Carlos de Lucca – grifos nossos.